Ao mano com carinho

19 07 2011

Um dedo da mão
Um dos poucos amigos,
Amplexos de coração
Meu mano comigo..

Mesmo que bem longe…
Sem nos falar…
Como Pedro e Visconde
E nossas barbas àumentar!

Mesmo que trance
A trança de Rapunzel,
Se acredita, alcance!
Meu caro hermano Manuel!

 

Rodolfo de Castro.

Dia algum, para Alexandre Manuel.





No caderno de folhas pautadas

8 07 2011

Última aula de Dir. Adm. II

Muito bela a mesa
com códigos e papéis,
brilhantes azuis pendurados,
brilho do olho aos olhos
brilham nos dedos anéis!

Sua voz soa, que só leveza.
O teu sorriso, pedindo silêncio, reflete harmônico…
Teu cheiro imagino daqui!

Má-fé ou fé boa, tanto tardar, nem consigo ouvir…
É Platão, amor anônimo
não paro de imaginar!!

Rodolfo de Castro.





O verão que não passou

1 05 2011

A primavera vem com calma
Mas vem toda colorida!
Que pena, pois minh’alma
Continua tão sofrida

Vem matar esse verão
Que nunca mais se vai,
Vem alegrar meu coração
Porque não volta pai!

Saiba que a dor é bem alta
E que sofro mais um dia
Passei, cresci, mas sua falta,

Mesmo que se distancia;
Na pureza ou nessa malta
Inda me traz melancolia.

Geraldo da Cunha Castro.
26/09/90.





Guaicurus

26 01 2011

 

Sai do leste

passei pelo centro da peste

um barulho infernal!

Nos prédios,

fumaça exalava pela janela

cheiro vulgar da incensadela…

Na escada um sobe

outro desce

co’a mão no corrimão umedecido,

enferrujado,

cada quarto colorido,

à porta, ao menos um

excitado!

Descontração habitual

para uns…

Para outros,

entristece!!

Onde um entra e paga

e a outra

deita e desveste.

 

Rodolfo de Castro.

18 de outubro de 2008.





Àvó

26 01 2011

 

Se não fosse essa minha estirpe

O que seria de mim?!

O que seria da minha mãe,

Das minhas manhãs, minhas irmãs?!

 

E as tenho todas!

São santas, ave Conceição!

Dentro do meu coração, tu moras

E o meu amor por ti vigora,

Do tamanho do mundo!

 

RGC.





O vaqueiro do sertão virou gente da cidade

22 11 2010

 

O carro de bois,

Já não range mais

Seu coração cantador

Nas subidas dos gerais.

 

O vaqueiro do sertão

Agora está motorizado;

Cuspindo poluição

Por caminho asfaltado.

 

Agora… Tem título de eleitor,

Carteira de identidade,

Carteira de motorista,

É… Virou gente da cidade.

 

Tem título no protesto,

Tem ficha no SPC,

Mora em casa alugada,

Mas com aparelho de TV.

 

Mas melhorou muito,

Já pode até dar risada.

Ele tem filha na zona,

Mas tem dente na fachada.

 

Geraldo da Cunha Castro.

30/01/80.





Eu queria…

22 11 2010

 

… Que as cabeças fossem

Mais cheias de coisas boas.

Mas os mistérios, os mistérios

Que dançam e pulam

Que põem e tiram

Que deixam ou exilam

São.

Verdades concretas

Que me cortam a meta,

O estímulo de viver,

Ou me deixam uma vontade de não sofrer

Ou de me embriagar p’ra esquecer,

Que eu não fui, quando quis ser.

Mas não posso parar.

Vou.

Mas queria que os homens se amassem,

Ou que pelo menos eu aceitasse:

 

O que a vida dá

O que a vida toma

O que a morte leva

E o que se consome.

 

Geraldo da Cunha Castro.

1980.








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