Sem choro

1 10 2011

 

Caiu vertiginosamente

Como um bólide, um meteoro.

Pasmei.

Mas disse p’ra mim mesmo,

Dessa eu não choro.

E não chorei.

Sómente e tão somente lamentei

Uma dor profunda, surda

Que se explodiu numa fúria

Fúnebre me soltando e saltando p’ra fora.

Agora…

O tempo me fez esquecer.

Não lamento e nem faço

Questão de lamentar.

Apesar de que; o lamento

Traz força, e a humilhação também.

Mas, prefiro enfraquecer as bases,

Pois afinal, aventurar sempre faz bem.

Geraldo da Cunha Castro.

1978.

 





Foi essa a porta

18 08 2011

 

Foi essa a porta

Que te trouxe a mim.

E agora ela

Te deixa sair assim!

Porta…Porta…

Você que leva e traz,

Desconsidere esse evento;

Procure voltar atrás!

Foi essa a porta

Que te trouxe a mim.

Foi essa a porta

Que te levou assim.

Porta… Porta…

Você que leva e traz,

Porta.. Porta…

Porque me levou a paz?!

Geraldo da Cunha Castro.

22/10/80.





Sodoma e Gomorra

16 08 2011

 

Corta a alma

Corta a calma

Corta a paz, que muito assaz

Se vai e vai e vai…

Quando às vezes vem.

Sodoma e Gomorra!

Ai meu Deus que confusão.

Ninguém conhece ninguém;

E p’ra onde eu quero ir.

A cada dia

Vou mais aquém.

Que mundo!

Foi-se a fé, foi-se o amor

E cresce e cresce mais

E mais, a dor.

 

Geraldo Cunha Castro.

11/05/1981.





Uma sombra que passa

29 07 2011

Vou na vida

E me transformo

E me projeto.

Triste ilusão.

Se caminho para a morte

Não pode ser minha sorte;

Só sigo o corrimão.

Vou pisando e vou pisado

Por sobre pedras e espinhos

Que cruzam no meu caminho.

Mas vou animado,

Pois não tenho solução.

Iludido caminhando

Pela vida vou passando

P’ra que?

Se sou a sombra, a silhueta

Que faz riso

E me faz careta,

E o mundo nem me vê?!

Geraldo da Cunha Castro.

1976.





Dançou

28 07 2011

Meu sonho desceu dançando a ladeira, o vi de longe.

E na eqüidistância das extremidades da avenida

Veio baralhando toda minha besta vida.

Meu ser encheu-se de alegria!!

E o que eu via no sono,

Agora eu vivia!

 

Rodolfo de Castro.

2008.





Será que dá?

28 07 2011

Que era ruim,

Todo mundo bem sabia.

Pois existia, pois existia.

Era no tempo de D. Pedro

A monarquia;

Que agonia, que agonia!!

Que bom, que bom, que bom

La revolución.

E olha lá e olha lá!

República do Brasil;

Que passou e ninguém viu…

Marechal, General, Marechal,

Esperança, Liberdade…

Tchau! Tchau! Tchau! Tchau!!

 

Cantiga escrita em 29/10/85.

Geraldo Cunha Castro.





Acorda Brasil!

28 07 2011

I

Pero Vaz de Caminha,

Juntamente com Cabral.

Dizendo o que a terra tinha

Escreveram p’ra Portugal.

II

- Pau Brasil de montão,

índios p’ra serem escravos.

Pois não sabem dizer não,

E nem tanto eles são bravos.

III

Desde então nossa gente,

Ouviu sem dizer nada.

Somos frutos da semente,

Que há muito foi plantada.

IV

E até hoje nessa Terra,

Milagre só vem de fora.

Tudo que temos se enterra,

Depois é que a gente chora.

10/10/84.

Geral da Cunha Castro.








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